História - A FUNDAÇÃO DAS PRIMEIRAS SOCIEDADES CRIACIONISTAS

A FUNDAÇÃO DAS PRIMEIRAS SOCIEDADES CRIACIONISTAS

 

Paralelamente ao início das atividades de Price em oposição à crescente adoção dos pontos de vista evolucionistas no sistema educacional e na mídia formadora de opinião nos EUA, também na Inglaterra se verificou reação idêntica, culminando na criação do Evolution Protest Movement em 1932, com a participação do conhecido Sir John Ambrose Fleming.

Nos EUA, George Mcready Price publicou vários livros e associou-se a outros defensores do Criacionismo Bíblico – Byron Nelson e Dudley Joseph Whitney – para fundar a Religion Science Association em 1935.

Em 1938, George Mcready Price separa-se da Religion Science Association e, juntamente com Ben Allen, funda a Creation-Deluge Society.

A partir de 1939, com o início da Segunda Guerra Mundial, todos os esforços nos EUA e na Inglaterra são desviados para as atividades bélicas, e nesse período se destacam somente a fundação da American Scientific Affiliation nos EUA, entidade voltada para uma tentativa de conciliação entre Criacionismo Bíblico e Evolucionismo, fundada em 1941, e também nos EUA a fundação do Moody Institute of Science em 1945, a qual, sob a direção de Irwin A. Moon, iniciou a produção da série de filmes coloridos intitulada Sermons from Science que, sem dúvida, marcaram época como excelente material audiovisual que substituiu os antigos filmstrips, e que até hoje ainda pode ser utilizado para a abordagem de numerosos fatos e fenômenos da maravilhosa criação de Deus sob o aspecto científico.

A fundação dessas primeiras Sociedades Criacionistas decorreu, em parte, do recrudescimento dos ataques ao movimento criacionista após o célebre “Processo Scopes”, mais conhecido como o “Julgamento do Macaco”, ocorrido em Dayton, Tennessee, em 1925.

Nesse julgamento, cuja verdadeira história foi mascarada pela peça teatral que foi composta a seu respeito e pelo filme que mais modernamente foi lançado para denegrir a posição criacionista, enfrentam-se duas personalidades norte-americanas – o advogado Clarence Darrow e o conhecido político William Jennings Bryan.

Ambos se confrontaram no julgamento de um professor acusado de ter infringido a lei estadual que proibia o ensino do Evolucionismo nas escolas do Tennessee. Darrow defendeu o jovem professor Scopes, e Bryan defendeu a aplicação da lei. O processo tornou-se um caso midiático nacional (sob a influência do nascente desenvolvimento das programações radiofônicas) influindo até hoje nas posições jurídicas da Suprema Corte norte-americana quanto a legislações específicas posteriores ironicamente relacionadas com a proibição do ensino do Criacionismo em salas de aula nas escolas públicas nos EUA.

 

Darrow e Bryan no Tribunal em Dayton, durante o julgamento de Scopes

 

No confronto entre o Criacionismo e o Evolucionismo no decorrer do século XX, além do “Julgamento do Macaco”, destacou-se em particular outro importante fato – o estabelecimento de novos currículos escolares para Ciências nos EUA, com o forte apoio financeiro da National Science Foundation.

Essa iniciativa foi uma decorrência direta da chamada “Guerra Fria” entre os EUA e a União Soviética, após o trauma causado pelo lançamento do Sputnik, veículo espacial soviético que feriu os brios nacionais americanos.

A culpa da inferioridade americana na “corrida espacial” foi lançada sobre a defasagem dos currículos escolares, e foram então tomadas medidas para possibilitar a recuperação do suposto atraso do sistema educacional americano relativamente ao sistema soviético, mediante a elaboração de novas diretrizes curriculares, especialmente nas áreas básicas de Matemática, Física, Química e Biologia. Assim, a partir de 1958 surgiram os novos currículos nos EUA, nos quais se verifica objetivamente um forte viés evolucionista decorrente da crescente influência do naturalismo e do secularismo que aos poucos se introduziram na sociedade americana, particularmente após a II Guerra Mundial!

 

Coleção dos livros da SCIENCE EDUCATION CURRICULUM STUDY

 

O lançamento dessa coleção de novos currículos para as escolas americanas teve reflexos no Brasil, com a tradução dos novos livros didáticos e sua ampla disseminação, efetuadas com o apoio de programas governamentais. Dentre os vários livros dessa coleção, destacaram-se, sem dúvida, os lançados nos EUA a partir de 1961, referentes à Biologia, nos quais a abordagem é exclusivamente evolucionista.

Foram assim lançadas as raízes da hegemonia evolucionista também no sistema educacional brasileiro, com a adesão silenciosa da sociedade ao naturalismo e secularismo, refletida nas instituições de ensino superior e, portanto, na ideologia dos professores por elas formados a partir da disponibilização do novo material didático inicialmente produzido nos EUA. Esse material didático mostrou-se apropriado à lavagem cerebral evolucionista de estudantes indefesos, que nunca tiveram acesso à bibliografia criacionista e nem sequer às críticas feitas imparcialmente quanto à fragilidade da posição evolucionista.

 

Exemplar de um dos livros de Biologia editado no Brasil no início da década de 1970

 

Em face desse crescente movimento evolucionista na educação, provocado pelos novos currículos, em contra partida foram também se organizando Sociedades Criacionistas tanto nos EUA como em outros países, para disponibilizar literatura de cunho criacionista a professores e estudantes com a intenção de lhes proporcionar outra visão de mundo alternativa, viável, em nível equivalente ao apresentado pela visão de mundo hegemônica.

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